quarta-feira, 26 de julho de 2017

Tem mais poesia num suspiro meu do que em toda essa baboseira pseudo modernista mal escrita vagando por aí.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Aline

Teus olhos, Aline,
convidam-me ao pecado
de aventurar-me em seu corpo
tão jovem, bem formado
de amante irrestrita.

Teus olhos, Aline,
são repletos de malícia,
Teus olhares e sorrisos,
de carinho e de cobiça.

Aline,
desvenda-me teu segredo
de longe, pois tenho medo
de não resistir ao teu chamado

silencioso, irrecusável
De ir buscar meu sossego
aconchegado entre teus seios
repousado em teu abraço

Ode ao Ódio

Odeio como odeia quem se deixa envolver
Pela fúria até maior que o próprio medo de morrer
Odeio com vontade, vergonha não cabe em mim
Pois o ódio é só o começo do que um dia vai ter fim

Ódio tão desmerecido, pouco visto em sua nobreza
Que, assim como o amor, enche o homem de certeza
Muito embora o amor seja somente um sinal de sorte
E o ódio desmedido leve o homem à sua morte

Eu sei que um dia acaba, já vi isso acontecer
Ninguém continua odiando depois que a morte o surpreender.
Que eu perca tudo na vida, e me curve a procurar
Mas que leve até o túmulo meu dom de odiar.

Ausência

Chegará um momento em que, inevitavelmente, não mais estarei aqui
Terá fim minha comunhão com as coisas terrenas
embora as coisas terrenas, peremptoriamente, seguirão seu curso
existindo apesar da minha falta física (ou por causa dela?)

Far-se-á a constatação de que o curso dos dias seguirá inalterado:
o nascente e o poente
o meio dia
e o jantar servido, pontualmente, às oitemeia.

Tudo seguirá conforme os planos traçados assim que minha existência não mais for efetivamente verificada como real.

E de mim, o que dirão?
- Ele não faltava trabalho - alguém diria.
- Ele deixou tresouquatro músicas - outro lembra.
- Há dias não falava com ele - a maioria perceberia.
- Talvez eu devesse ter perguntado como ele estava - um mais atento poderia conjecturar

Mas passado o instante de choque, onde a ausência se torna presente, tudo voltaria a ser exatamente como era e sempre será: as primaveras aconteceriam, os rádios tocariam as mesmas canções patrocinadas pelas mesmas pessoas, e o curso dos dias seguiria inalterado:

o nascente e o poente
o meio dia
e o jantar servido, como sempre, às oitemeia

quarta-feira, 8 de março de 2017

Quem diria?

Quem nos via
todo dia
na rotina
sem clima

Quem nos via?
Quem ouvia?

Quem diria
e nos veria
assim, em fim,
felizes,
completos

cada
um
por
si?